Dia 6 de
Março de 2013…
Depois de um longo e cansativo percurso pelo
Atlântico, que durou nove horas…, mais uma do que era previsto, chego
finalmente ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar (Maiquetía – Estado
Vargas), nada me pareceu estranho, o único que esperava era realmente ver o
Estado Vargas e a zona de Maiquetía (destruídas em 1999 pelas inundações),
muito mais recuperadas, limpas e com menos favelas, essa foi a primeira
impressão negativa que tive do meu país, e que justificará a minha opinião na
parte final desta publicação.

O percurso até à capital foi rápido, mas o calor, a
paisagem ressequida e o percurso descuidado, não me agradaram, pois pensava
encontrar uma “Porta de Entrada” muito mais digna de um país rico e “afogado”
em petróleo…, talvez tenha chegado no momento menos apropriado…, alem dos
residentes estariam na cidade o dobro das pessoas, vindas de todo o país, para
a despedida do Presidente Hugo Chávez. Havia, muita polícia, durante o trajecto
até Caracas, muita! e ao longo de todo o percurso, o que me surpreendeu pela
positiva. A viagem até Caracas durou trinta minutos, e eis que finalmente chego
à capital venezuelana, o impacto foi estrondoso…, em frente estava um passado muito
desejado…, o arrepio surgiu, subiu por todo o corpo e manteve-se até ao dia em
que deixei Caracas, nesse mesmo instante soube que aquela cidade, cheia de
contrastes, feios e belos, era a minha cidade e que parecia que nunca tinha
saída de lá…, engraçada sensação… O percurso foi estonteante, tudo parecia ter
permanecido no lugar à minha espera, e nem os locais mais descuidados da cidade
me entristeceram, Caracas é descomunalmente grande, gigante, assustadoramente
caótica, tudo parece cair encima de nós, mas em tudo me revia, ruas por onde
andei, ruas por onde passei, ruas da minha infância, a escola onde estudei, o
clube onde treinei durante anos, tudo lá… a sorrir para mim e a dizer-me… “se
bem-vindo”. Caracas recebeu-me de braços abertos e eu aconcheguei-me a ela…, vi
ruas, avenidas, praças e edifícios, bairros pobres, ruas sujas, outras muito
limpas, bairros pobres e municípios de luxo extremo, gente que aos vossos olhos
seriam feias, outras deslumbrantes, pessoas pobres, outras vestidas com o
melhor, todos conviviam numa cidade que nem parecia ser das mais violentas da
América Latina…, senti o cuidado que se deve ter, mas em nenhum momento tive
medo, nem me senti inseguro, senti paz…, estranho, mas senti que tinha chegado
a casa, e nunca que estava de ferias…, o dia seis foi o dia do reencontro com
pessoas que não via há muito, e a noite chegou rápido…, a noite chegou e
roubou-me um dia glorioso, um dia que ainda não tinha para mim chegado ao fim…,
mas sim, chegou…, e dormi no céu…


Dia 7, 8 e 9
de Março de 2013
Estes dias foram uma avalancha de emoções e
descobertas, a cidade e o país viviam um momento histórico, rios de gente,
triste e chorosa, por ter morrido o seu “líder” outras indiferentes, e outras
sussurrando a sua alegria, mas a cidade continuou na sua desordenada “ordem”,
caótica, bela, suja, limpa, mas calma, um dia perfeito para começar a reunir
fotos da cidade, percorri tudo, vi tudo, senti tudo, o lado “Chavista” e
desordenado, e o lado “in” e cheio de luxo, experimentei sem contar, percorrer a
cidade de mota! sim de mota! e foi o melhor que podia ter feito, graças a um
amigo, senti a cidade como ninguém, saboreie a cidade, senti o vento na minha
cara e os cheiros da cidade… Caracas é um mundo caótico, numa única cidade, e
tive o privilégio de o viver. Há coisas feias, sim, há coisas que estão mal,
sim, mas outras há que ninguém imagina que Caracas esconda, arquitectura
colonial, contemporânea, modernista, vanguardista, jardins, praças, parques,
carros e mais carros, motas e mais motas, um rodopio sem fim, uma imensidão de
gente de perder de vista, Caracas é Caracas e não devemos fazer comparações.


Decidi também acompanhar a minha amiga, onde fiquei
hospedado, aos serviços públicos, onde precisou tratar de assuntos pessoais, eu
mesmo tratei da renovação do meu documento de identidade venezuelano, e deixo
aqui testemunho do excelente atendimento ao qual fui sujeito, sem demoras, com
as mesmas deficiências que encontrei em alguns serviços públicos portugueses, e
portanto na U.E. Caracas vive uma “desordem” “ordenada”, como já referi, típica
de uma cidade de 8.000.000 de habitantes, cheia de problemas estruturais, mas
que cativa pela beleza que também tem, pelas suas gentes, carinhosas e
simpáticas, e pelo seu agitado e frenético cotidiano, eu sou de cidade e
Caracas definitivamente é a minha cidade.
Neste mesmo dia nove, fui de metro até ao centro da
cidade, rever o centro histórico e colonial, uma emoção, numa tarde que
desapareceu rápido de mais…, a confusão nesta parte da cidade era muita, carros
e pessoas, num frenesim sem descanso, o centro estava sujo e confuso, estava a
decorrer uma manifestação de apoio ao candidato presidencial Nicolás Maduro, e
em contra ao candidato da oposição Henrique Capriles, ambos estavam a
formalizar no CNE (Conselho Nacional Eleitoral) a inscrição como candidatos, já
podem imaginar a confusão, eu lá estava, no meio dela. A Praça Diego Ibarra e a
Praça Caracas mais pareciam saídas de um comício eleitoral, cheio de adeptos do
governo do falecido Presidente Hugo Chávez, agora de Maduro…, acredito que a
confusão era mesmo desconcertante para qualquer turista que ali estivesse.
Continuamos então o nosso passeio, cheio de boas surpresas, a Igreja de São
Francisco, a bela Avenida da Universidade, e eis que chegamos ao magnífico
edifício da Assembleia Nacional e o Capitólio, decidimos tentar a nossa sorte e
testar a simpatia dos seguranças e cadetes, pedimos então, uma vez que não era
permitida a entrada de civis, autorização para entrar naquele espectacular
edifício, e a surpresa não podia ter sido mais agradável, fomos autorizados a
entrar, permanecer e tirar fotografias, sem restrições! dos jardins e espaços,
um sonho para muitos venezuelanos, que
eu concretizei! Saímos de lá com um sorriso de orelha a orelha, e continuamos a
explorar a zona, tentamos então voltar a testar a simpatia dos responsáveis de
um outro edifício, desta vez era o Palácio Municipal, que também estava
fechado, e a surpresa foi igualmente agradável, fomos acolhidos com uma
simpatia e carinho desconcertante, mesmo sem ser dia de visita, fomos os únicos
a percorrer aqueles jardins e corredores de um magnífico edifício colonial, até
tivemos a honra de nos ligarem a fonte central e com luz! tudo para podermos
tirar as melhores fotografias, uma disponibilidade que me deixou sem palavras.
Saímos felizes e continuamos, mesmo já a escurecer (o que não é aconselhável),
a percorrer aquela zona, aquelas ruas e aquela magnífica Praça Bolívar que por
sinal estava repleta de pessoas. Sabes que a insegurança existe, mas com todos
os cuidados (não falar ao telemóvel, não mostrar que és um turista distraído, não provocar com ostentações em localidades menos seguras, etc.) podes desfrutar de tudo, eu não me senti em nenhum momento perturbado,
nem amedrontado, mas senti que deves estar sempre alerta e cuidar as tuas coisas.
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| Igreja de São Francisco |
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| Igreja Santa Teresa |
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| Praça Diego Ibarra e Praça Caracas |
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| Capitólio |
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| Praça Bolívar |
Outro espaço que visitamos, e que esta
completamente recuperado, foi a Casa do Vínculo, Património Nacional, casa por
onde passou o Libertador Simón Bolívar, e durante décadas escondia a sua beleza
atras de estuques e pinturas de uma “reles” sapataria, hoje é uma linda casa
colonial, recuperada por dentro e por fora, e transformada em museu.
A visita nesse fim de tarde continuou pelo chamado
“Casco Histórico” passamos pelo Museu Bolivariano, a Casa Natal do Libertador
Simón Bolívar, a imponente Igreja Santa Teresa e decidimos terminar em grande,
bebendo um delicioso chocolate quente de cacau venezuelano, o sitio escolhido
foi a emblemática esplanada “Cacau Venezuela” em frente à magnífica Praça
Bolívar de Caracas, mas estava a fechar…, decidimos perguntar se seria possível
provar o tão conhecido chocolate quente de cacau venezuelano, fomos
simpaticamente bem recebidos, servidos e para nosso espanto, não nos cobraram!
Aquele chocolate soube pela vida, de facto não existe melhor.
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| Museu de Arte Sacra |
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| "Café Venezuela" junto à Praça Bolívar |
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| Museu Bolivariano |
Tinha chegado a hora de regressar a casa, viemos de
metro, voltamos de metro, sem problemas, sem stresses. Nesta viagem tive o
privilégio, para mim, de percorrer a cidade toda, sem limites, desde as zonas
pobres, feias e catalogadas de “Zonas Vermelhas”, logo as mais perigosas, às
mais elitistas.
Dia 10 de
Março de 2013
Almocei com uma amiga e durante a tarde
reencontrei-me com vários amigos de liceu, um reencontro reconfortante, muita
conversa e lembranças, e no fim brindamos à nossa amizade, que sobreviveu a
tantos anos.
Dia 11 de
Março de 2013
Almocei com outra amiga de infância e adolescência,
mais conversa e mais confraternização, estas amizades que duram durante anos e
que a distância não esmorece, estas sim são amizades verdadeiras, depois do
almoço, a tarde e noite foram para relaxar, uma vez que a etapa seguinte seria
o paraíso…
Dia 12 e 13
de Março de 2013
Visitei um dos muitos paraísos que existem na
Venezuela, e únicos no mundo, a bela cidade costeira de “Puerto La Cruz” e
“Lecheria”, ambas no Estado venezuelano de Anzoátegui a 400 km de Caracas, esta
ultima considerada tipo Veneza, pois não circulam carros, só iates e barcos
pelos seus canais. Desde essa localidade de “Lecheria” alugamos um pequeno
barco que nos levou às paradisíacas ilhas do Parque Nacional de Mochima, sem exagero…,
chorei de alegria, por estar rodeado de tanta beleza… É indescritível o que
senti, aquele mar, aquela brisa, aquela areia, aquela paisagem… De volta a
“Lecheria” e “Puerto La Cruz”, duas cidades seguras, onde se pode passear,
jantar no seu pitoresco passeio marítimo “Paseo Colón”, foram de facto uns dias
relaxantes.
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| El Morro - Lechería - Puerto La Cruz |
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| Lechería - Puerto La Cruz |
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| Lechería - Puerto La Cruz |
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| Parque Nacional de Mochima - Ilha / Praia de Puinare |
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| Parque Nacional de Mochima - Ilha / Praia de Puinare |
Dia 14 de
Março de 2013
Viajei para o interior, duas horas de viagem
levaram-me agora a 700 km de Caracas, cheguei a uma pequena e sufocante cidade
do interior oriental do país, chamada Maturín, no Estado de Monagas, a cidade é
uma mistura de modernidade, rusticidade com um toque pitoresco, muito limpa! ai
percorri ruas, visitei a sua catedral e assisti a um curso sobre técnicas
audiovisuais de televisão, graças a um amigo que trabalha nesse meio e que o
dirigiu. Neste Estado encontra-se o magnífico Parque Nacional Cuevas del
Guacharo, não há palavras para descrever este paraíso… Na cidade de Maturín
permaneci até ao dia 16, dia em que regressei a Caracas, num percurso que
demorou oito horas, cheguei dia 17 à capital, às 6:00 da manhã, não dormi,
apenas descansei, tomei banho e preparei-me para um almoço, numa outra zona de
Caracas em casa de uns amigos, o almoço foi um delicioso prato típico
venezuelano “Pabellón Criollo” (arroz branco, plátano frito, carne desfiada com
pimento e tomate, e feijão preto), uma delicia, nesse mesmo dia, depois do
almoço, subi aos mais de 2100 metros de altitude, até ao Hotel Humbolt, no
Teleférico de Caracas, no topo a paisagem é deslumbrante…, esta palavra fica
curta para definir o que se sente ao subir, ver Caracas desde as alturas e
percorrer aquele lugar, tão bem preservado, limpo e seguro, este Sistema de
Teleférico foi recuperado pelo governo em 2007, os preços desceram e a
segurança é excelente, no topo poderá maravilhar-se com as paisagens, percorrer
os quiosques típicos, almoçar, lanchar ou saborear os deliciosos morangos com chantilly com um “friozinho” saboroso, não se surpreendam se pelo percurso
encontrarem peças de teatro a decorrer ao ar livre. O Hotel Humbolt esta em
obras e pode-se observar como estão já alguns espaços recuperados, e a
funcionar. Este hotel é um ícone da cidade de Caracas dos anos 50 e 60 nele, a
elite venezuelana e caraquenha organizavam festas e eventos falados alem
fronteiras. Nessa mesma tarde descemos um pouco, de jipe, até à bela povoação
de “Galipan”, lindo…, aqui pode encontrar pousadas de montanha, lojas típicas e
excelentes restaurantes, no regresso subimos, outra vez de jipe, novamente até
ao Teleférico, já noite, e na descida a vista tem uma mistura de medo, assombro
e deslumbramento… não há palavras para descrever o trajecto desde essa altura.
O Teleférico de Caracas é uma jóia da cidade. Cheguei a casa perto das 22:00
horas de domingo, cansado mas feliz.
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| Catedral de Maturín |
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| Interior da Catedral de Maturín |
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| Praça de Maturín |
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| Centro Comercial La Cascada - Maturín |
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| Parque Nacional Cuevas del Guacharo |
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| Parque Nacional Cuevas del Guacharo |
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| Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas |
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| Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas |
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| Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas |
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| Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas |
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| Hotel Humbolt - Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas |
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| Topo do Parque Nacional de Warairarepano - Ávila |
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| Topo do Parque Nacional de Warairarepano - Ávila |
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| Restaurante na aldeia turística de Galipan |
Dia 18 de
Março de 2013
Um dia para percorrer a cidade de Caracas, desta
vez fui aos museus (Ciências e Belas Artes) e ao espectacular Teatro Teresa
Carreño, o maior complexo cultural da América Latina, continuei pelo recuperado
“Boulevard” de Sabana Grande, uma zona comercial, só para peões, semelhante a
Santa Catarina na cidade do Porto (Portugal) mas com o triplo da extensão, esta
zona é cheia de vida e considerada segura, cheia de lojas, mercados
“escondidos”, muitas esculturas e mini-parques infantis.
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| Teatro Teresa Carreño |
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| Teatro Teresa Carreño |
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| Museu de Belas Artes |
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| Museu de Arte Contemporânea Sofia Imber |
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| Sabana Grande |
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| Sabana Grande |
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| Sabana Grande |
Neste dia tive um percalço, soube que a principal
estrada que faz a ligação entre a cidade de Caracas e o Aeroporto de Maiquetía
(na costa), seria encerrada nesse sentido, para obras… por 16 horas! (das 22:00
do dia 19 às 12:00 horas do dia 20) logo perderia o avião se arriscasse
dirigir-me ao aeroporto no dia do meu voo, dia 20…, a solução foi sair de
Caracas antes do encerramento, e hospedar-me num hotel na zona costeira, tive
de adiantar as despedidas, visitei desde as 7:00 da manhã do dia 19, as pessoas
amigas e não pensei que chora-se…, chorei por deixar aquelas pessoas…, sai de
Caracas às 11:30 do dia 19, e no percurso despedi-me da minha cidade…, e mais
uma vez chorei no táxi… Cheguei então à localidade costeira de Macuto, a 45
minutos do aeroporto e hospedei-me sozinho num pequeno hotel de praia,
simpático, propriedade de portugueses, com esquadra da polícia à porta e muitos
restaurantes próximos. Nessa mesma tarde do dia 19 estava na praia, a relaxar…
A povoação não é bonita, digamos que rústica onde a classe elitista nunca
poria um pé, mas lá estava eu, ao sol, mergulhei e mais uma vez não senti
insegurança, e até deixei as minhas coisas na areia! Claro sempre atento… A
localidade como disse não é bonita, mas é cheia de alegria, muita música e com
muito ambiente caribenho. Depois da praia, de volta ao hotel, descansar e
jantar, para uma noite de sono e saborear o ultimo dia na Venezuela…
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| Macuto |
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| Macuto |
Levo comigo este país, cheio de tudo, com as suas
virtudes, os seus defeitos, os seus problemas, e as suas belezas, um país que
tem tudo e que tudo esta subaproveitado, um paraíso na terra… O meu país, onde
senti desde o 1º dia, que nunca o tinha deixado…
Dia 20 de
Março de 2013
Sai do hotel às 11:30 em direcção ao Aeroporto de
Maiquetía, o meu voo estava marcado para as 16:40, nunca percebi, até esse dia,
a necessidade de estar no aeroporto com tanta antecedência…, a resposta não
demoraria muito a chegar…, e a desilusão iria cair sobre mim, com todo o peso.
Ao chegar à zona de “Chek in”, não podia acreditar na multidão que fazia as
filas, vários voos, entre eles o do Porto, acumulavam os passageiros que
atordoados esperavam a sua vez… Antes do “Chek in” oito ou mais militares
revistavam, um a um, todos os passageiros e bombardeavam cada um com perguntas invasivas, insinuando que algo não poderia estar conforme, ninguém consegue
ficar calmo com tanta pressão… Esta seria a primeira etapa de uma saga de
perguntas, revistas, controlo de malas, mochilas, casacos, etc.., tudo feito
por militares pouco simpáticos…, e o controlo exaustivo, humilhante, cansativo
e desesperante, prolonga-se até às portas do avião… O voo marcado para as
16:40, saiu às 19:15… inadmissível.

O avião parte…, vejo a Venezuela desde as alturas,
e penso: Até breve…, não deixarei passar muito tempo para voltar, pertenço à
Venezuela e quero visita-la toda! Foi uma aventura, viajei sozinho, estive com
os meus amigos, para outros que deixei no Porto, foi talvez uma loucura,
estive na cidade com o índice de criminalidade mais alto do mundo, no
Estado Miranda, o mais perigoso, não andei escondido, não andei com medo, não
deixei de andar na rua de carro, a pé ou de mota! não deixei de tirar
fotografias, visitar a cidade, não andei vestido como um mendigo, não passei
fome, não vi fome…, não estive num país ditatorial, vi sim, uma divisão social,
ideológica, uma fissura que não conhecia, constatei que a sociedade venezuelana
esta dividida em duas, e que cada uma expressa livremente as suas ideias, isso
sim, não existe repressão ou falta de liberdade de expressão, muito pelo
contrario, existe sim, um radicalismo ridículo e desnecessário, senti uma
divisão social, e vi também que continua a desigualdade social, flagrante e
visível na cidade, zonas pobres, muitas favelas e luxuosas mansões, localizadas
em municípios de primeiro mundo.
Definitivamente a Revolução Bolivariana não tem
nada a ver com a Venezuela, nem com a sociedade venezuelana, podia existir um
socialismo de equidade, mas o sistema existente no país, não tem sentido e a
Revolução não funciona.
Sei que em breve estarei novamente na Venezuela, e
seguramente muita coisa terá mudado, não acredito que a Revolução continue por muito
mais tempo, e a minha convicção é que o país vai sofrer, mas esse sofrimento
será necessário, e esta Revolução ineficiente dará lugar, espero eu, a um
sistema mais sóbrio, eficiente e mais actual, que permita que a Venezuela e os
venezuelanos progridam na modernidade e na equidade social.
Visita Caracas e a Venezuela! Sem preconceitos, sem
comparações, acredito que terás muitas razões para voltar a visita-la.