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Sábado, 25 de Maio de 2013

ESCASSEZ ALIMENTAR NA VENEZUELA?



Estive na Venezuela durante o mês de Março de 2013, e não constatei de facto uma escassez generalizada, que tanto apregoavam os meios de comunicação social, há na realidade uma falta, mesmo nas grandes superfícies, de um ou outro producto de primeira necessidade (açúcar, farinha de milho, papel higiénico, arroz, entre outros), que criam desconforto na população, e ao mesmo tempo criam uma ideia de ineficácia do governo venezuelano em resolver, seja por que razão for, um problema essencial e prioritário para a população de um país. Porque é que então persiste este problema?

A escassez na Venezuela de alguns productos é o conjunto de muitos factores, numa Venezuela politizada e dividida durante os últimos 14 anos. Os factores são políticos, ideológicos, logísticos, estruturais, mas também com uma elevada carga “criminosa” pois existe um enorme poder de alguns empresários, que especulam desenfreadamente (sem um castigo exemplar por parte das autoridades). Uma outra causa, que é responsável também pela tal escassez, é o forte controlo de câmbio de dólares e euros, e a regulação de preços desses bens, o que origina uma reserva por parte do investimento empresarial, e a acumulação ou retenção nos armazéns das empresas privadas, destes productos, criando também essa sensação de ausência de alguns bens.

A Venezuela foi, desde sempre, um país que viveu na sombra das fabulosas reservas de petróleo existentes, estimulada pelas grandes potencias (EUA e países da União Europeia), que viam na Venezuela uma fonte segura de petróleo, e ao mesmo tempo estimulavam a não produção, pois convinha um país que exportasse muito e barato, e importasse tudo… Esta foi a Venezuela que foi criada por estas “potências” armadas em moralistas… Desde a chegada do Ex-Presidente e falecido Hugo Chávez, o governo tem tentado estimular a produção nacional, criou uma rede de mercados populares, e tem reforçado a área logística e de distribuição de alimentos, o trabalho é árduo, há que reconhecer o mérito, mas parece que o sector privado começa a entender-se com o sector público, e neste caso com o governo de Nicolás Maduro.

Mercado Municipal de Chacao - Caracas (Março de 2013)
A falta de alguns alimentos, como disse, não é generalizada, isto é, não faltam todos ao mesmo tempo, se falta açúcar, há frango, se falta frango, não há farinha, etc., isto é muito desconcertante, e cria mau estar na população, que é obrigada a percorrer vários supermercados, para encontrar os productos desejados. Uma das razões também são os boatos propositados, dizem que vai faltar o açúcar, e a população corre para o comprar, pais, mães, filhos, todos trazem 3, 4, 5 caixas desse bem alimentar, é a chamada “compra nervosa” num dia, esse producto, nesse supermercado, pode até desaparecer… Eu percorri vários supermercados, entre eles a cadeia portuguesa “Central Madeirense” e não constatei a falta de bens, as prateleiras estavam cheias, e o mesmo se passou nos mercados municipais, como podem observar nas fotografias, a Venezuela vive uma especulação diária de preços, uma parte do sector empresarial não tem escrúpulos, e atiram a população para uma correria constante e desnecessária, stressando famílias inteiras… Uma das coisas que me surpreendeu, e até escandalizou, foi a disparidade de preços, estes não condizem com o valor do producto, o custo de vida em bolívares (moeda venezuelana) é demasiadamente elevado, sem necessidade, pois o mesmo bem importado na Colômbia, ou no Brasil, custa menos 50% do que na Venezuela…

Mercado Municipal de Chacao - Caracas (Março de 2013)
A Venezuela sofre uma terrível especulação económica, fruto dos extremos políticos,  e isso é catastrófico, o governo tem feito um esforço descomunal para evitar um mal pior, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação) vai galardoar o país na próxima reunião em Roma (Itália) por este ter atingido antes de 2015, a meta de quase fome zero! Hoje na Venezuela só 5% da população passa alguma necessidade alimentar, e não existe fome no país. A FAO considera que uma pessoa precisa de aproximadamente 1.800 calorias por dia, na Venezuela esse valor é de 3.182 calorias! Hoje 95% da população venezuelana tem acesso a 3, 4 ou mais refeições diárias, e o governo criou 22.000 mercados populares em todo o país, com preços 40% e até 50% mais baixos do que na rede privada.

O grande problema do país continua a ser a falta de produção nacional, isto foi um erro crasso dos sucessivos governos, mesmo com a continuidade dos esforços empreendidos, a Venezuela só será auto-suficiente dentro de algumas décadas… O governo e o sector privado têm a culpa, talvez porque não se tenham entendido durante estes últimos 14 anos, e quem paga é o cidadão comum, é necessário resolver esta situação, pensar na população, isto é governar, isto é ser um bom empresário, é necessário produzir, voltar aos campos, A Venezuela tem essa potencialidade e acredito que vai conseguir, pois a consciência já foi plantada, é necessário agora punir as irresponsabilidades de ambos lados, e reconhecer quando se é responsável, para mostrar exemplos à população.

A Venezuela deve ser o país que mais potencialidades agrícolas têm, as extensas e quentes planícies, permitiriam auto-abastecer o país de cereais, vales e montanhas, onde podem ser produzidos frutos e legumes, zonas muito quentes e húmidas, zonas secas, todos estes climas num país só! permitiriam diversificar a oferta alimentar. Se durante as longas décadas de 70, 80 e 90 os governos centristas e de direita, que governaram em alternância o país durante 50 anos, não andassem a brincar aos governos democráticos, a Venezuela hoje seria auto-suficiente em matéria alimentar, e o seu povo não seria sujeito a estes stresses, num país afogado em recursos naturais…, enquanto Presidentes irresponsáveis “governavam”. Na minha opinião directa e franca, e como venezuelano revoltado com esta situação, começaria por condenar à prisão todos os governos de antes e de agora, marcaria eleições Presidenciais e Legislativas, e aplicaria a Constituição desde o primeiro ao último artigo, isto sim seria uma revolução, e em menos de uma década o país teria um outro olhar no futuro… é necessário acabar com a impunidade, e “decapitar” a corrupção de antes e de agora.  

Mas não esqueças! nem tudo o que lês e ouves por ai corresponde realmente à realidade, procura informar-te, procura outras fontes, diversificar a informação, tenho a certeza que encontraras, neste caso, uma Venezuela muito mais interessante do que aquela que realmente conheces.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

O MAIOR COMPLEXO TURÍSTICO DE LUXO DA AMÉRICA LATINA, ESTA A SER PROJECTADO NA VENEZUELA.



Será o maior complexo turístico de luxo da América Latina, projectado para as ilhas venezuelanas de “La Tortuga” e “La Orchila” em pleno Mar das Caraíbas.

Estas ilhas são protegidas, e só podem ser visitadas com uma autorização especial das autoridades. O complexo continuará a contemplar a preservação do meio ambiente, não terá o objectivo de massificação turística, mas será de alta qualidade e direccionada para pessoas com grande poder aquisitivo. O objectivo do governo de Nicolás Maduro é desenvolver o turismo como factor da captação de divisas para o país. O complexo já foi aprovado, e recebeu luz verde para ser construído.


Será construído um hotel de cinco estrelas, com todo o luxo e comodidades exigidas, mas completamente ecológico, onde tudo será reciclado, utilizará energias alternativas, tratará a sua própria água residual e o seu lixo, e o entorno estará completamente adequado às exigências dos visitantes, mas sempre enquadrado no ambiente que rodeia o complexo, nada poderá por em causa o equilíbrio ambiental das ilhas, mas ao mesmo tempo, oferecerá ao turista uma inesquecível estância, num dos cenários mais paradisíacos do mundo.

Estas ilhas ficam a 160km de Caracas, e tem 40 km2. A sua envolvência tropical e caribenha é deslumbrante, as suas águas cor turquesa, as areias finas e brancas, e a tranquilidade que rodeia toda esta região, permitirão usufruir de umas férias inesquecíveis, e com a garantia ministerial, que todos os turistas serão banhados com todo o luxo que desejarem.


Este tipo de “socialismo” será muito bem-vindo para a classe média alta e alta venezuelana, e sem dúvida será o novo refúgio, para os magnatas e milionários de todo o mundo.    

Esta publicação será actualizada, quando o complexo estiver construído. 


Domingo, 5 de Maio de 2013

PETROCARIBE - ALIANÇA ENERGETICA? OU OFERTA DE RECURSOS?


É uma aliança internacional proposta pela Venezuela e criada a 29 de Junho de 2005, tornando-se no instrumento de cooperação internacional mais ambicioso, controverso e enigmático a nível mundial, pela sua complexidade, pelo seu objectivo (cooperação solidária de ajuda energética) e pelo seu estrondoso sucesso.

Esta aliança não se resume só ao fornecimento solidário e preferencial de petróleo pela Venezuela aos países do Caribe, não, ela engloba todas as fontes de energia existentes neste momento, petróleo e seus derivados, gás natural e electricidade, com o objectivo de facilitar aos países que a subscreveram, e que não as possuem, poder obtê-las de forma muito mais segura, barata e em troca poder oferecer à Venezuela apoio noutras áreas onde possam existir carências. Esta aliança têm o objectivo de estimular também o desenvolvimento entre todas as nações que dela fazem parte, de energias alternativas, tais como a eólica, mares, solar, entre outras.

São 17 os países do Caribe que aderiram a esta aliança: Antigua e Barbuda, Bahamas, Belize, Cuba, Dominica, Granada, Guiana, Jamaica, República Dominicana, San Cristóbal e Nieves, Santa Lucía, San Vicente e as Granadinas, Suriname, Nicarágua, Haiti, El Salvador, e claro a Venezuela. Honduras pediu a adesão, e em breve será membro pleno da organização.

Muito se tem falado sobre esta aliança energética, melhor no exterior do que a nível nacional (Venezuela) de um lado a admiração de outros países e continentes pelos resultados obtidos, e pela extraordinária colaboração, entendimento e cooperação entre os 16 países, por outro lado uma parte da sociedade venezuelana a critica fortemente, referindo muitas vezes o facto de a Venezuela estar a “oferecer” os recursos do país ao exterior, em vez de resolver os problemas que ainda existem no país. O problema é que existe a meu ver uma constante confrontação ideológica no país, nunca a Venezuela tinha tido um papel tão activo na região, nunca a Venezuela tinha tido um papel tão cooperante com as outras nações vizinhas, não existia o sentimento de comunidade, se transportarmos este assunto para a Europa, e sem querer fazer comparações entre países, vemos que o mesmo se passa na União Europeia, com a Alemanha a sofrer pressões internas por ajudar, com os impostos dos alemães, os países europeus mais pobres e com dificuldades, que são: Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, já para não falar em todos os países do leste europeu, e neste aspecto a Alemanha também tem problemas internos para resolver.

O objectivo do “Petrocaribe” é a solidariedade regional, que se for realmente bem conduzida, será a melhor e a única aliança real de cooperação regional existente no mundo! e que até se tornará um exemplo a seguir. Ela permitiu que países com graves problemas de acesso a energias, principalmente quando estas atingem um valor insuportável, pudessem ultrapassar de forma satisfatória esse período mais complicado, que aliás aconteceu em 2011 e ainda hoje, com os preços do petróleo a rodarem os 100$, e não duvidem que, se houver algum conflito internacional, chegará muito perto dos 150$.... Esta cooperação permite aos países da região ter acesso a essas energias, sem intermediários e fora do âmbito especulativo, por exemplo: o petróleo fornecido pela Venezuela não é gratuito! mas possui condições de acesso excelentes para estes países, tais como: 1 ano de fornecimento gratuito, 25% dos custos da factura suportados pela Venezuela, 15 anos de crédito para pagamento com uma taxa de 2%, isto se o petróleo se mantiver abaixo dos 40$ porque se ultrapassar os 40$ as condições mudam e melhoram! passando para 2 anos de graça, 40% dos custos da factura suportados pela Venezuela, e o crédito pode passar para 25 anos com uma taxa de 1%. O pagamento para países que tenham dificuldades acrescidas pode até ser efectuado com bens produzidos nesse país, e que sejam necessários na Venezuela! Irrecusável sem dúvida…. Este tipo de aliança não existe em nenhum outro continente…

Agora o governo venezuelano de Nicolás Maduro, na reunião que teve lugar em Caracas, este fim de semana (4 e 5 de Maio de 2013), a Venezuela fez outra ambiciosa proposta, a de transformar a Aliança Petrocaribe, numa Zona Económica Especial, com o objetivo de desenvolver a região de forma sustentável, harmoniosa e ambientalmente equilibrada, em igualdade de oportunidades para TODOS os países do Caribe. A Venezuela poderá desta forma investir nestes países, criar infraestruturas de apoio à industria venezuelana, e ao mesmo tempo ajudar a desenvolver esses países, e consequentemente o melhoramento do fornecimento petrolífero, e de gás natural, assim como dinamizar o intercâmbio comercial entre todos os membros. Esta Zona Económica Especial, inclui também um Fundo Social de Investimento, que promoverá a criação de projetos sociais nestes países.  

A polémica vai continuar, com razões de um lado e de outro, mas o facto é que se trata de uma aliança única de cooperação internacional, e quer se queira quer não, a Venezuela esta a ajudar um conjunto de países que fora do Petrocaribe, estariam condenados, e sucumbiriam à voracidade da especulação dos mercados internacionais em matéria energética. Como dizia numa determinada altura um dos presidentes de um país membro “A Venezuela esta a dar uma grande lição ao mundo perante a especulação…. Perante a avareza e perante a procura insaciável de riqueza, também pode prevalecer a solidariedade e a generosidade…” Uns preferem achar que é a “oferta” dos recursos do país…., eu prefiro chamar a isto um verdadeiro espírito comunitário, que começa a suscitar inveja, aqui na União Europeia….


Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

O PARADOXO VENEZUELANO…




Depois das passadas eleições venezuelanas, a situação politica e social na Venezuela tem permanecido no limbo, coisa grave para qualquer país, e principalmente para a Venezuela, que adquiriu no tempo de Chávez uma influência e importância que parece insubstituível.

Pela primeira vez que as eleições na Venezuela não eram tão renhidas, os resultados foram sempre uma incógnita, e realmente havia razão para isso, a diferença entre os dois principais candidatos (Maduro vs Capriles) foi de menos 300.000 votos…, e é aqui que radica o problema, na diferença de votos, o lema democrático, por um voto se ganha, por um voto se perde, não existe numa Venezuela profundamente dividida ideologicamente, e a radicalização de ideias torna difícil perceber quem diz a verdade, e onde esta realmente a verdade… Do lado de Nicolás Maduro, festeja-se a vitoria e a continuidade do processo revolucionário, que sinceramente acredito venha a ser mais moderado, apesar do discurso flamejante do “descendente” politico de Hugo Chávez, do lado de Capriles, a insistência de que houve fraude eleitoral, o desconhecimento dos resultados, e o não reconhecimento de Maduro como Presidente, deixa o país em suspenso internamente, digo internamente, porque internacionalmente o apoio foi praticamente total e cada vez mais países se juntam às felicitações, o único país a não reconhecer a vitoria de Maduro, até agora, foi os EUA, a União Europeia ainda não se pronunciou como bloco, mas vários dos seus integrantes, já felicitaram Nicolás Maduro por separado (Espanha, Portugal, França e Reino Unido).

Está a decorrer uma auditoria aos resultados das eleições, solicitada pela oposição, 46% das urnas estão a ser revistas e espera-se um resultado definitivo, que terá de ser aceite por todos, em princípio…, uma vez que todos aceitaram, eu pessoalmente acredito que a oposição continuará a desconhecer os resultados, e o assunto passará para o TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), com o objetivo de impugnar as eleições…, seja qual for a conclusão da auditoria. Esta situação é gravíssima..., se não se sair deste impasse, a Venezuela pode cair numa fosso económico, e numa instabilidade social, com consequência imprevisíveis, para o país e para a região. O actual governo venezuelano de Nicolás Maduro, precisa tomar medidas urgentes a nível económico, conter a inflação, resolver o problema de abastecimento alimentar no país, implementar medidas severas contra a criminalidade, promover o investimento estrangeiro, aumentar o salário mínimo, reconciliar a população venezuelana, promover o turismo, investir na manutenção das infraestruturas petrolíferas, resolver o problema eléctrico, desenvolver alternativas energéticas, duplicar a produção agrícola, tudo isto sem diminuir o descomunal gasto social venezuelano… tarefa extremamente difícil, e em suspenso com esta crise politica… A Venezuela não pode esperar ou arrisca-se a ser tarde demais…

Eu votei no candidato Henrique Capriles, porque achei sinceramente que a radicalização e o delírio do discurso do candidato Nicolás Maduro, não convinha à Venezuela, e também porque achando que a vitoria seria de Maduro, a oposição deveria ser fortalecida, mas aceito os resultados eleitorais, porque acredito no Sistema Eleitoral venezuelano, até prova em contrário... Muitas fotos aparecem na Internet, muitos comentários divergentes surgem, tenho amigos que vivem na Venezuela, na mesma zona! e ao mesmo tempo, uns dizem que se esta a viver o caos, mortos e feridos, e outros que a cidade esta calma e o sossego é total... alguém consegue explicar isto? Ambos lados se tornaram extremistas nas suas ideias, os apoiantes de Nicolás Maduro, além de festejarem, são muito unidos, e a sua luta é o não permitir que políticos, que lhes façam recordar os anos 80 e 90 voltem a governar o país, por outro lado os apoiantes convictos de Henrique Capriles, menos unidos e mais focados nos seus interesses pessoais, odeiam os chamados “chavistas”, tem repulsa pelas pessoas que vivem nos bairros de lata (na sua maioria apoiantes de Maduro), e acham que todos os males do país residem ou estão nestes bairros e nestas pessoas. Quando estive na Venezuela (Março 2013) num almoço com uma amiga, apoiante de Capriles, esta confessou-me que a única forma de resolver os problemas do país, seria bombardear os bairros pobres de Caracas, arrasa-los e eliminar todas essas pessoas…, eu, incrédulo e estonteante com a opinião que acabava de escutar, pensei…: o problema esta precisamente neste pensamento…, enquanto este ódio de classes existir na sociedade venezuelana, venha o governo que vier, o país não terá sossego e os problemas permanecerão, porque os pobres continuam lá, as favelas também e a desigualdade social continuará visível, aos olhos de todos… Seja qual for o governo que estiver em Miraflores, terá que dedicar muito tempo e recursos à parte social venezuelana, eu acredito no socialismo, eu acredito que essa seja a melhor opção para qualquer país, mas um socialismo moderno, eficiente, com visão de futuro, mas que principalmente dirija os imensos recursos naturais do país, para transformar a sociedade venezuelana, numa sociedade mais justa e equitativa. É utópico? Não, não é utopia, é uma realidade cada vez mais presente e mais actual do que nunca, até na velha Europa...
              

Sábado, 30 de Março de 2013

VER CARACAS PELOS MEUS OLHOS…



Dia 6 de Março de 2013…
Depois de um longo e cansativo percurso pelo Atlântico, que durou nove horas…, mais uma do que era previsto, chego finalmente ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar (Maiquetía – Estado Vargas), nada me pareceu estranho, o único que esperava era realmente ver o Estado Vargas e a zona de Maiquetía (destruídas em 1999 pelas inundações), muito mais recuperadas, limpas e com menos favelas, essa foi a primeira impressão negativa que tive do meu país, e que justificará a minha opinião na parte final desta publicação.


O percurso até à capital foi rápido, mas o calor, a paisagem ressequida e o percurso descuidado, não me agradaram, pois pensava encontrar uma “Porta de Entrada” muito mais digna de um país rico e “afogado” em petróleo…, talvez tenha chegado no momento menos apropriado…, alem dos residentes estariam na cidade o dobro das pessoas, vindas de todo o país, para a despedida do Presidente Hugo Chávez. Havia, muita polícia, durante o trajecto até Caracas, muita! e ao longo de todo o percurso, o que me surpreendeu pela positiva. A viagem até Caracas durou trinta minutos, e eis que finalmente chego à capital venezuelana, o impacto foi estrondoso…, em frente estava um passado muito desejado…, o arrepio surgiu, subiu por todo o corpo e manteve-se até ao dia em que deixei Caracas, nesse mesmo instante soube que aquela cidade, cheia de contrastes, feios e belos, era a minha cidade e que parecia que nunca tinha saída de lá…, engraçada sensação… O percurso foi estonteante, tudo parecia ter permanecido no lugar à minha espera, e nem os locais mais descuidados da cidade me entristeceram, Caracas é descomunalmente grande, gigante, assustadoramente caótica, tudo parece cair encima de nós, mas em tudo me revia, ruas por onde andei, ruas por onde passei, ruas da minha infância, a escola onde estudei, o clube onde treinei durante anos, tudo lá… a sorrir para mim e a dizer-me… “se bem-vindo”. Caracas recebeu-me de braços abertos e eu aconcheguei-me a ela…, vi ruas, avenidas, praças e edifícios, bairros pobres, ruas sujas, outras muito limpas, bairros pobres e municípios de luxo extremo, gente que aos vossos olhos seriam feias, outras deslumbrantes, pessoas pobres, outras vestidas com o melhor, todos conviviam numa cidade que nem parecia ser das mais violentas da América Latina…, senti o cuidado que se deve ter, mas em nenhum momento tive medo, nem me senti inseguro, senti paz…, estranho, mas senti que tinha chegado a casa, e nunca que estava de ferias…, o dia seis foi o dia do reencontro com pessoas que não via há muito, e a noite chegou rápido…, a noite chegou e roubou-me um dia glorioso, um dia que ainda não tinha para mim chegado ao fim…, mas sim, chegou…, e dormi no céu…



Dia 7, 8 e 9 de Março de 2013
Estes dias foram uma avalancha de emoções e descobertas, a cidade e o país viviam um momento histórico, rios de gente, triste e chorosa, por ter morrido o seu “líder” outras indiferentes, e outras sussurrando a sua alegria, mas a cidade continuou na sua desordenada “ordem”, caótica, bela, suja, limpa, mas calma, um dia perfeito para começar a reunir fotos da cidade, percorri tudo, vi tudo, senti tudo, o lado “Chavista” e desordenado, e o lado “in” e cheio de luxo, experimentei sem contar, percorrer a cidade de mota! sim de mota! e foi o melhor que podia ter feito, graças a um amigo, senti a cidade como ninguém, saboreie a cidade, senti o vento na minha cara e os cheiros da cidade… Caracas é um mundo caótico, numa única cidade, e tive o privilégio de o viver. Há coisas feias, sim, há coisas que estão mal, sim, mas outras há que ninguém imagina que Caracas esconda, arquitectura colonial, contemporânea, modernista, vanguardista, jardins, praças, parques, carros e mais carros, motas e mais motas, um rodopio sem fim, uma imensidão de gente de perder de vista, Caracas é Caracas e não devemos fazer comparações.


Decidi também acompanhar a minha amiga, onde fiquei hospedado, aos serviços públicos, onde precisou tratar de assuntos pessoais, eu mesmo tratei da renovação do meu documento de identidade venezuelano, e deixo aqui testemunho do excelente atendimento ao qual fui sujeito, sem demoras, com as mesmas deficiências que encontrei em alguns serviços públicos portugueses, e portanto na U.E. Caracas vive uma “desordem” “ordenada”, como já referi, típica de uma cidade de 8.000.000 de habitantes, cheia de problemas estruturais, mas que cativa pela beleza que também tem, pelas suas gentes, carinhosas e simpáticas, e pelo seu agitado e frenético cotidiano, eu sou de cidade e Caracas definitivamente é a minha cidade.

Neste mesmo dia nove, fui de metro até ao centro da cidade, rever o centro histórico e colonial, uma emoção, numa tarde que desapareceu rápido de mais…, a confusão nesta parte da cidade era muita, carros e pessoas, num frenesim sem descanso, o centro estava sujo e confuso, estava a decorrer uma manifestação de apoio ao candidato presidencial Nicolás Maduro, e em contra ao candidato da oposição Henrique Capriles, ambos estavam a formalizar no CNE (Conselho Nacional Eleitoral) a inscrição como candidatos, já podem imaginar a confusão, eu lá estava, no meio dela. A Praça Diego Ibarra e a Praça Caracas mais pareciam saídas de um comício eleitoral, cheio de adeptos do governo do falecido Presidente Hugo Chávez, agora de Maduro…, acredito que a confusão era mesmo desconcertante para qualquer turista que ali estivesse. Continuamos então o nosso passeio, cheio de boas surpresas, a Igreja de São Francisco, a bela Avenida da Universidade, e eis que chegamos ao magnífico edifício da Assembleia Nacional e o Capitólio, decidimos tentar a nossa sorte e testar a simpatia dos seguranças e cadetes, pedimos então, uma vez que não era permitida a entrada de civis, autorização para entrar naquele espectacular edifício, e a surpresa não podia ter sido mais agradável, fomos autorizados a entrar, permanecer e tirar fotografias, sem restrições! dos jardins e espaços, um sonho para muitos venezuelanos,  que eu concretizei! Saímos de lá com um sorriso de orelha a orelha, e continuamos a explorar a zona, tentamos então voltar a testar a simpatia dos responsáveis de um outro edifício, desta vez era o Palácio Municipal, que também estava fechado, e a surpresa foi igualmente agradável, fomos acolhidos com uma simpatia e carinho desconcertante, mesmo sem ser dia de visita, fomos os únicos a percorrer aqueles jardins e corredores de um magnífico edifício colonial, até tivemos a honra de nos ligarem a fonte central e com luz! tudo para podermos tirar as melhores fotografias, uma disponibilidade que me deixou sem palavras. Saímos felizes e continuamos, mesmo já a escurecer (o que não é aconselhável), a percorrer aquela zona, aquelas ruas e aquela magnífica Praça Bolívar que por sinal estava repleta de pessoas. Sabes que a insegurança existe, mas com todos os cuidados (não falar ao telemóvel, não mostrar que és um turista distraído, não provocar com ostentações em localidades menos seguras, etc.) podes desfrutar de tudo, eu não me senti em nenhum momento perturbado, nem amedrontado, mas senti que deves estar sempre alerta e cuidar as tuas coisas.

Igreja de São Francisco
Igreja Santa Teresa
Praça Diego Ibarra e Praça Caracas
Capitólio
Praça Bolívar
Outro espaço que visitamos, e que esta completamente recuperado, foi a Casa do Vínculo, Património Nacional, casa por onde passou o Libertador Simón Bolívar, e durante décadas escondia a sua beleza atras de estuques e pinturas de uma “reles” sapataria, hoje é uma linda casa colonial, recuperada por dentro e por fora, e transformada em museu.


A visita nesse fim de tarde continuou pelo chamado “Casco Histórico” passamos pelo Museu Bolivariano, a Casa Natal do Libertador Simón Bolívar, a imponente Igreja Santa Teresa e decidimos terminar em grande, bebendo um delicioso chocolate quente de cacau venezuelano, o sitio escolhido foi a emblemática esplanada “Cacau Venezuela” em frente à magnífica Praça Bolívar de Caracas, mas estava a fechar…, decidimos perguntar se seria possível provar o tão conhecido chocolate quente de cacau venezuelano, fomos simpaticamente bem recebidos, servidos e para nosso espanto, não nos cobraram! Aquele chocolate soube pela vida, de facto não existe melhor.

Museu de Arte Sacra
"Café Venezuela" junto à Praça Bolívar
Museu Bolivariano
Tinha chegado a hora de regressar a casa, viemos de metro, voltamos de metro, sem problemas, sem stresses. Nesta viagem tive o privilégio, para mim, de percorrer a cidade toda, sem limites, desde as zonas pobres, feias e catalogadas de “Zonas Vermelhas”, logo as mais perigosas, às mais elitistas.


Dia 10 de Março de 2013
Almocei com uma amiga e durante a tarde reencontrei-me com vários amigos de liceu, um reencontro reconfortante, muita conversa e lembranças, e no fim brindamos à nossa amizade, que sobreviveu a tantos anos.

Dia 11 de Março de 2013
Almocei com outra amiga de infância e adolescência, mais conversa e mais confraternização, estas amizades que duram durante anos e que a distância não esmorece, estas sim são amizades verdadeiras, depois do almoço, a tarde e noite foram para relaxar, uma vez que a etapa seguinte seria o paraíso…

Dia 12 e 13 de Março de 2013
Visitei um dos muitos paraísos que existem na Venezuela, e únicos no mundo, a bela cidade costeira de “Puerto La Cruz” e “Lecheria”, ambas no Estado venezuelano de Anzoátegui a 400 km de Caracas, esta ultima considerada tipo Veneza, pois não circulam carros, só iates e barcos pelos seus canais. Desde essa localidade de “Lecheria” alugamos um pequeno barco que nos levou às paradisíacas ilhas do Parque Nacional de Mochima, sem exagero…, chorei de alegria, por estar rodeado de tanta beleza… É indescritível o que senti, aquele mar, aquela brisa, aquela areia, aquela paisagem… De volta a “Lecheria” e “Puerto La Cruz”, duas cidades seguras, onde se pode passear, jantar no seu pitoresco passeio marítimo “Paseo Colón”, foram de facto uns dias relaxantes.

El Morro - Lechería - Puerto La Cruz
Lechería - Puerto La Cruz
Lechería - Puerto La Cruz
Parque Nacional de Mochima - Ilha / Praia de Puinare
Parque Nacional de Mochima - Ilha / Praia de Puinare
Dia 14 de Março de 2013
Viajei para o interior, duas horas de viagem levaram-me agora a 700 km de Caracas, cheguei a uma pequena e sufocante cidade do interior oriental do país, chamada Maturín, no Estado de Monagas, a cidade é uma mistura de modernidade, rusticidade com um toque pitoresco, muito limpa! ai percorri ruas, visitei a sua catedral e assisti a um curso sobre técnicas audiovisuais de televisão, graças a um amigo que trabalha nesse meio e que o dirigiu. Neste Estado encontra-se o magnífico Parque Nacional Cuevas del Guacharo, não há palavras para descrever este paraíso… Na cidade de Maturín permaneci até ao dia 16, dia em que regressei a Caracas, num percurso que demorou oito horas, cheguei dia 17 à capital, às 6:00 da manhã, não dormi, apenas descansei, tomei banho e preparei-me para um almoço, numa outra zona de Caracas em casa de uns amigos, o almoço foi um delicioso prato típico venezuelano “Pabellón Criollo” (arroz branco, plátano frito, carne desfiada com pimento e tomate, e feijão preto), uma delicia, nesse mesmo dia, depois do almoço, subi aos mais de 2100 metros de altitude, até ao Hotel Humbolt, no Teleférico de Caracas, no topo a paisagem é deslumbrante…, esta palavra fica curta para definir o que se sente ao subir, ver Caracas desde as alturas e percorrer aquele lugar, tão bem preservado, limpo e seguro, este Sistema de Teleférico foi recuperado pelo governo em 2007, os preços desceram e a segurança é excelente, no topo poderá maravilhar-se com as paisagens, percorrer os quiosques típicos, almoçar, lanchar ou saborear os deliciosos morangos com chantilly  com um “friozinho” saboroso, não se surpreendam se pelo percurso encontrarem peças de teatro a decorrer ao ar livre. O Hotel Humbolt esta em obras e pode-se observar como estão já alguns espaços recuperados, e a funcionar. Este hotel é um ícone da cidade de Caracas dos anos 50 e 60 nele, a elite venezuelana e caraquenha organizavam festas e eventos falados alem fronteiras. Nessa mesma tarde descemos um pouco, de jipe, até à bela povoação de “Galipan”, lindo…, aqui pode encontrar pousadas de montanha, lojas típicas e excelentes restaurantes, no regresso subimos, outra vez de jipe, novamente até ao Teleférico, já noite, e na descida a vista tem uma mistura de medo, assombro e deslumbramento… não há palavras para descrever o trajecto desde essa altura. O Teleférico de Caracas é uma jóia da cidade. Cheguei a casa perto das 22:00 horas de domingo, cansado mas feliz.

Catedral de Maturín
Interior da Catedral de Maturín
Praça de Maturín
Centro Comercial La Cascada - Maturín
Parque Nacional Cuevas del Guacharo
Parque Nacional Cuevas del Guacharo
Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas
Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas
Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas
Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas
Hotel Humbolt - Sistema de Teleférico Warairarepano - Caracas
Topo do Parque Nacional de Warairarepano - Ávila
Topo do Parque Nacional de Warairarepano - Ávila
Restaurante na aldeia turística de Galipan 
Dia 18 de Março de 2013
Um dia para percorrer a cidade de Caracas, desta vez fui aos museus (Ciências e Belas Artes) e ao espectacular Teatro Teresa Carreño, o maior complexo cultural da América Latina, continuei pelo recuperado “Boulevard” de Sabana Grande, uma zona comercial, só para peões, semelhante a Santa Catarina na cidade do Porto (Portugal) mas com o triplo da extensão, esta zona é cheia de vida e considerada segura, cheia de lojas, mercados “escondidos”, muitas esculturas e mini-parques infantis.

Teatro Teresa Carreño
Teatro Teresa Carreño
Museu de Belas Artes
Museu de Arte Contemporânea Sofia Imber
Sabana Grande
Sabana Grande
Sabana Grande
Neste dia tive um percalço, soube que a principal estrada que faz a ligação entre a cidade de Caracas e o Aeroporto de Maiquetía (na costa), seria encerrada nesse sentido, para obras… por 16 horas! (das 22:00 do dia 19 às 12:00 horas do dia 20) logo perderia o avião se arriscasse dirigir-me ao aeroporto no dia do meu voo, dia 20…, a solução foi sair de Caracas antes do encerramento, e hospedar-me num hotel na zona costeira, tive de adiantar as despedidas, visitei desde as 7:00 da manhã do dia 19, as pessoas amigas e não pensei que chora-se…, chorei por deixar aquelas pessoas…, sai de Caracas às 11:30 do dia 19, e no percurso despedi-me da minha cidade…, e mais uma vez chorei no táxi… Cheguei então à localidade costeira de Macuto, a 45 minutos do aeroporto e hospedei-me sozinho num pequeno hotel de praia, simpático, propriedade de portugueses, com esquadra da polícia à porta e muitos restaurantes próximos. Nessa mesma tarde do dia 19 estava na praia, a relaxar… A povoação não é bonita, digamos que rústica  onde a classe elitista nunca poria um pé, mas lá estava eu, ao sol, mergulhei e mais uma vez não senti insegurança, e até deixei as minhas coisas na areia! Claro sempre atento… A localidade como disse não é bonita, mas é cheia de alegria, muita música e com muito ambiente caribenho. Depois da praia, de volta ao hotel, descansar e jantar, para uma noite de sono e saborear o ultimo dia na Venezuela…

Macuto
Macuto
Levo comigo este país, cheio de tudo, com as suas virtudes, os seus defeitos, os seus problemas, e as suas belezas, um país que tem tudo e que tudo esta subaproveitado, um paraíso na terra… O meu país, onde senti desde o 1º dia, que nunca o tinha deixado…

Dia 20 de Março de 2013
Sai do hotel às 11:30 em direcção ao Aeroporto de Maiquetía, o meu voo estava marcado para as 16:40, nunca percebi, até esse dia, a necessidade de estar no aeroporto com tanta antecedência…, a resposta não demoraria muito a chegar…, e a desilusão iria cair sobre mim, com todo o peso. Ao chegar à zona de “Chek in”, não podia acreditar na multidão que fazia as filas, vários voos, entre eles o do Porto, acumulavam os passageiros que atordoados esperavam a sua vez… Antes do “Chek in” oito ou mais militares revistavam, um a um, todos os passageiros e bombardeavam cada um com perguntas invasivas, insinuando que algo não poderia estar conforme, ninguém consegue ficar calmo com tanta pressão… Esta seria a primeira etapa de uma saga de perguntas, revistas, controlo de malas, mochilas, casacos, etc.., tudo feito por militares pouco simpáticos…, e o controlo exaustivo, humilhante, cansativo e desesperante, prolonga-se até às portas do avião… O voo marcado para as 16:40, saiu às 19:15… inadmissível.


O avião parte…, vejo a Venezuela desde as alturas, e penso: Até breve…, não deixarei passar muito tempo para voltar, pertenço à Venezuela e quero visita-la toda! Foi uma aventura, viajei sozinho, estive com os meus amigos, para outros que deixei no Porto, foi talvez uma loucura, estive na cidade com o índice de criminalidade mais alto do mundo, no Estado Miranda, o mais perigoso, não andei escondido, não andei com medo, não deixei de andar na rua de carro, a pé ou de mota! não deixei de tirar fotografias, visitar a cidade, não andei vestido como um mendigo, não passei fome, não vi fome…, não estive num país ditatorial, vi sim, uma divisão social, ideológica, uma fissura que não conhecia, constatei que a sociedade venezuelana esta dividida em duas, e que cada uma expressa livremente as suas ideias, isso sim, não existe repressão ou falta de liberdade de expressão, muito pelo contrario, existe sim, um radicalismo ridículo e desnecessário, senti uma divisão social, e vi também que continua a desigualdade social, flagrante e visível na cidade, zonas pobres, muitas favelas e luxuosas mansões, localizadas em municípios de primeiro mundo.

Definitivamente a Revolução Bolivariana não tem nada a ver com a Venezuela, nem com a sociedade venezuelana, podia existir um socialismo de equidade, mas o sistema existente no país, não tem sentido e a Revolução não funciona.

Sei que em breve estarei novamente na Venezuela, e seguramente muita coisa terá mudado, não acredito que a Revolução continue por muito mais tempo, e a minha convicção é que o país vai sofrer, mas esse sofrimento será necessário, e esta Revolução ineficiente dará lugar, espero eu, a um sistema mais sóbrio, eficiente e mais actual, que permita que a Venezuela e os venezuelanos progridam na modernidade e na equidade social.

Visita Caracas e a Venezuela! Sem preconceitos, sem comparações, acredito que terás muitas razões para voltar a visita-la.

NOTÍCIA VENEZUELANA QUE DESTACO:

NOTÍCIA VENEZUELANA QUE DESTACO:
- O Complexo Hemo-oncológico e de Radio-cirurgia do Hospital Domingo Luciani, localizado na localidade de El Llanito, Caracas, inaugurado a 9 de dezembro passado para dar atenção COMPLETAMENTE GRATUITA a pessoas com cancro na fase inicial ou com metástases. Com uma capacidade de atenção diária de 300 pacientes que requerem quimioterapia e 7 que precisam de radio-cirurgia.

VENEZUELANOS QUE DESTACO!

Alguns indicadores económicos e sociais:

- Petróleo venezuelano: 100,62$
- Setor privado em 2012: 57,3% do PIB
- Reservas internacionais: 26 mil 157 milhões de dólares
- Taxa de alfabetização: 95%
- Esperança de vida: 75 anos
- PIB (actual): 2,0%
- Taxa de incidência de pobreza (limiar de pobreza nacional): 21,2%
- Desemprego (dezembro 2012): 7,9%
- Dívida pública 2012: 21% do PIB
- Inflação acumulada (de Janeiro até Março de 2013): 7,7%
- Inflação (Março 2013): 2,8%

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  • En relación al contenido de su blog "Pequena Veneza", se nota que ha realizado un trabajo extenso, cuyo esfuerzo merece reconocimiento. (ATTE. EMBAJADA DE VENEZUELA EN PORTUGAL SECCIÓN CULTURAL)
  • "Yo pienso que Venezuela como belleza natural es un paraiso en la tierra independientemente de sus problemas politicos y sociales" (NATALIA - V.N.GAIA - PORTUGAL)
  • "Te felicito, xq realmente hace como mucha falta ver y oir cosas bonitas de VENEZUELA" (JOSÉ B. - CARACAS - VENEZUELA)
  • "Perfeito para quem quer conhecer a Verdadeira Venezuela!" (XANA G. - PORTO - PORTUGAL)
  • "Escapadelas de coração ;)" (JOÃO C. - PORTO - PORTUGAL)
  • "Pequena Veneza: a descoberta dum pais que tem muito para oferecer!" (JORGE P. - PORTO - PORTUGAL)
  • "É um gosto escrever neste blog, blog este que me tem ajudado a conhecer outras culturas, e de um país que não tenho uma ideia muito positiva, essa ideia está a ser completamente modificada, pelo autor Hélder Alves, que me tem despertado o interesse desse país. Interesse esse que pondero ir visitar um dia destes, coisa inpensável há uns tempos atrás. brigado Hélder e espero ler mais coisas...." (MIGUEL C. - OVAR - PORTUGAL)
  • "Um blog que fala do que os outros não pretendem divulgar: a beleza do património natural e cultural da VENEZUELA! Parabéns!" - (NUNO V. - PORTO - PORTUGAL)

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Recomendações para ter uma boa estadia na Venezuela:

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ (1980):

“Uma das mais belas frustrações da minha vida é não ter ficado a viver para sempre nessa cidade infernal. Gosto da sua gente à qual me acho muito parecido, gosto das suas mulheres ternas e bravas e gosto da sua loucura sem limites e o seu sentido experimental de viver” Isto é Caracas, uma Torre de Babel, na qual hoje nos entendemos e amanhã… Quem sabe?!

SIMÓN BOLÍVAR (DISCURSO DE ANGOSTURA 15 DE FEVEREIRO DE 1819)

“A continuidade da autoridade num mesmo individuo, frequentemente tem sido o fim dos governos democráticos”

Hélder Alves (2012):

“Por quê é que temos de dizer sempre mal? Quem não conhece o seu país tem a tendência para dizer mal e quem não o conhece não o consegue amar…”